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05

Agosto 2018

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Julho 2019

Museu de Cinema de Melgaço

/Exposição.02

pele e pedra
Philippe Halsman, Anna Magnani, 1951, MoMA

Anna Magnani por Anna Magnani


Exposição comissariada por Bernard Despomadères


A exposição ANNA MAGNANI constitui uma homenagem áquela que foi uma das presenças mais extraordinárias da História do Cinema. Poucas atrizes (ou atores) terão marcado o ecrã de uma forma tão intensa e única e gerado uma admiração tão consensual e apaixonada. A sua extensa filmografia, com alguns dos realizadores mais determinantes na já referida história (De Sica, Rossellini, Visconti, Pasolini, Cukor ou Renoir) 1, oferece- -nos não só personagens intensíssimas e inesquecíveis, mas sobretudo revela um modo de fazer cinema: justo, verdadeiro, generoso.

Anna

Roma, 07 de março de 1908 – Roma, 26 de setembro de 1973.
Mas porque será que insistem em apresentar-me como uma Electra fechada, solitária, amarga? Como fazer-vos compreender que sou alegre, rio, troço, que ser Anna Magnani me diverte muitíssimo.
E porque se espantam por a minha casa estar mobilada com gosto e cheia de livros? Mas quantas vezes terei de repetir que não me acharam na rua, andei no liceu, estudei piano durante oito anos e frequentei uma escola de arte dramática.

A Actriz

A melhor escola para um actor é o palco. É preciso ter coragem de começar por pequenos papéis, partir de baixo. Estou certa que muitos dos que pretendem dedicar-se ao cinema, se fizessem essa aprendizagem, obteriam resultados visíveis. A verdade é que hoje ninguém quer começar por ganhar pouco e seguir o percurso mais penoso e ingrato. E no entanto é o único. Todos os outros, incluindo as escolas para actores, não conduzem a nada ou, então, a resultados muito medíocres.
Não sou, por profissão, uma actriz, só consigo trabalhar bem quando tenho liberdade para fazer o que quero, como um escritor quando escreve, ou um pintor quando pinta, porque não posso obedecer à técnica, preciso de inventar. E depois, estou farta dos eternos papéis de mulher do povo histérica e berrona.
Não sou o género de actriz que está ali como um objecto, que se desloca como um copo, ou se utiliza como uma marioneta ou um robot. Não podem dizer-me: Olha para a direita, mexe o braço, faz uma careta. Quero ter consciência do que faço e contribuir para a personagem. Eu tenho algo a dizer.
Trabalhei melhor com Rossellini do que com qualquer outro realizador. Quando ele preparava uma cena era sempre a que eu filmaria se estivesse no seu lugar. Era uma experiência formidável, um milagre. Ele materializava o que eu tinha em mente.
Roma, cidade aberta (de Roberto Rossellini) foi o filme mais importante da minha vida. Não houve repetição da cena da morte. Com Rossellini nunca se repetia: filmava-se, é tudo. Ele sabia que depois de preparado o ambiente, eu arrancava. Durante o tiroteio, depois de ter passado a porta principal, de repente vi coisas já vistas... coisas que me mergulharam no tempo em que os alemães, em Roma, levavam os jovens à força. Porque era o próprio povo (no filme) que estava contra as paredes. E os alemães eram alemães vindos de um campo de prisioneiros. De repente, eu já não estava em mim. Isto é, eu era a personagem. Sim, Rossellini tinha preparado a rua de uma forma extraordinária. As mulheres empalideceram quando ouviram, de novo, os nazis a falarem uns com os outros. E isso transmitiu-me a angústia que se vê no ecrã. Foi terrível. Não esperava uma emoção tal. E comigo esse sistema funcionava.

Anna por Rossellini

Eu amava Anna, tão cheia de paixão, de vitalidade e um espírito tão vivo e cáustico. Antes de se tornar uma vedeta de cinema, com Roma, cidade aberta, fora uma grande actriz de teatro e de revista e a sua simples presença encantava. O nosso relacionamento foi violento, como de resto tudo o que ela fazia(…) quando filmou a cena da queda, em Roma, cidade aberta, caiu como se cai, sem prudência, e feriu-se. Entregava-se ao que fazia com total disponibilidade e nisto consistia a sua extraordinária força.
  • Vitorio De Sica, Teresa Venerdì, 1941
  • Roberto Rossellini, Roma Città Aperta, 1945
  • Luchino Visconti, Bellissima, 1951
  • Siamo Donne, 5º episódio, 1953
  • Jean Renoir, Le Carosse d’ Or, 1952
  • George Cukor, Wild is the wind, 1957
  • Pier Paolo Pasolini, Mamma Roma, 1962
  • Data: 30 Julho / 30 Setembro
  • Local: Museu de Cinema de Melgaço – Jean Loup Passek